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Um pouco sobre evolução dos games: simulação x arcade

Julho 10, 2011

Acompanho o mercado de games desde 1994, quando ainda tinha poucos anos de idade. Na época, era apenas um consumidor, não tinha maior conhecimento. Com o passar dos anos, participei da evolução das plataformas e dos softwares.

Posso dizer que nos últimos anos, em virtude do lançamento da “nova geração” (Playstation 3 e Xbox 360), a simulação ultrapassou o arcade. Para quem não conhece essa história, sempre houve essa separação – ou o jogo é uma simulação (tenta ser o mais real possível) ou explora ao máximo a fantasia dos videogames (a realidade não é o objetivo, é apenas usada como referência).

Em todos os campos de jogos isso aconteceu. Só que as novas plataformas, com gráficos maravilhosos, deram espaço para quem investia em “realidade”, simulação. Não à toa o sucesso nunca antes visto de The Sims e o crescimento da série Fifa (que hoje supera a antiga líder Pro Evolution). Pro Evolution ficou parada no tempo por ter insistido no arcade em tempos de simulação. O arcade era lindo no Super Nintendo ou Master System  pois os hardwares eram limitadíssimos. Lá, funcionava. Hoje, não funciona mais.

Ironia do destino ou não, Pro Evolution (antes Winning Eleven) ganhou destaque ao ser mais próximo da realidade (mesmo ainda sendo arcade), numa época em que os jogos de futebol pouco lembravam uma partida real. O auge dessa fórmula foi o início dos anos 2000, quando o Playstation 2 ainda não exigia movimentação mais precisa ou grandes detalhes gráficos.

Não por acaso, também, nos últimos 10 anos a indústria dos games testemunhou o desenvolvimento de um “monstro” (no bom sentido): Rockstar Games. Os criadores da série Grand Theft Auto (GTA) adotaram a estratégia adequada na hora certa.

Ainda no Playstation 2, investiram numa fórmula óbvia e, por isso também, genial. Crie um mundo como o mundo que vivemos, coloque uma pessoa como nós (nada de orcs ou monstrengos) e deixe ele “livre” – uma modalidade de jogo que é chamada de “sandbox”. Caixa de areia – assim como aquelas para crianças brincarem.

E as crianças continuaram brincando, virtualmente. GTA foi um sucesso pela ousadia, pela história de jogo, pelo gameplay (maneira como é executado o jogo) e por explorar o ambiente virtual tridimensional, sempre tendo a realidade como alvo.

Com esse modelo “óbvio”, a Rockstar virou referência. E lançou, em 2010, o que viria a ser o jogo do ano, Red Dead Redemption. O que poderia ser mais um jogo de velho oeste…mas não era. Simples. Você estava com vontade de pegar um cavalo e cavalgar na madrugada? Pode fazer. Quer caçar alguns lobos ou prefere ir laçar gado no pasto? Cansou do seu cavalo? Quer deixar ele no meio do nada ou quer dar um tiro no bicho e ver ele morrer? Politicamente incorreto? Sim. Simulação? Sim. Afinal, essas são as possibilidades da vida – e Red Dead, assim como GTA apresentava quase todas.  Obras-primas.

Sinceramente, com esse modelo, a Rockstar pode fazer coisas brilhantes. Basta imaginar uma época ou lugar que rendam uma história interessante – que nos façam querer viver aquele momento. Em 2011, eles poderiam optar por milhares de possibilidades.

Escolheram Los Angeles, no pós-guerra (1947). O personagem? Um detetive novato, veterano de guerra. Uma época charmosa (elegante) mas conturbada e cercada de situações absurdas.

Num próximo post vou escrever um pouco mais sobre esse jogo, que já é um marco na história dos videogames.

De → Random

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